Imóveis no Rio em 2019: vai melhorar, mas não muito

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RIO — O ano começou e, após as eleições definidas e o plano econômico estipulado (ou quase), fica a dúvida se finalmente o mercado imobiliário do Rio vai começar a erguer seus tijolinhos novamente. A resposta é “não exatamente”. Segundo especialistas do setor, o primeiro trimestre será um período de expectativas e espera pelas diretrizes do novo governo. Na última terça-feira, o novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse que haveria aumento dos juros no financiamento da casa própria para a classe média. Na quarta, porém, ele disse que suas palavras foram distorcidas e que, na verdade, quis dizer que os juros para a classe média já são mais altos e que continuariam a atender às regras de mercado.

O fato é que o disse-me-disse mexeu com todo o mercado em um momento em que a segurança para comprar ou construir imóveis é fundamental para o aquecimento do setor, especialmente no Rio. Nos últimos anos, os nichos de luxo e do programa Minha Casa Minha Vida se mantiverem bem. O de classe média, contudo, foi bem afetado. Segundo o professor de Negócios Imobiliários da FGV, Paulo Pôrto, a afirmação em si não chega a ser capaz de atrasar o crescimento previsto para 2020. Mas abala a confiança, o que pode levar ao adiamento da recuperação. — O que o mercado estava esperando eram medidas que dessem mais segurança para comprar, vender ou fazer um financiamento. Esse tipo de comentário desencontrado por interlocutores do governo é irresponsável e acaba gerando uma incerteza grande, e as pessoas seguram o dinheiro. Isso influencia do mutuário à construtora.

Para a diretora da construtora Riooito, Mariliza Fontes Pereira, a declaração não significa aumento nos preços, mas que o governo vai investir na classe que tem mais dificuldade de comprar o imóvel, hoje enquadrada no Minha Casa, Minha Vida.

— O mercado está se movimentando para favorecer o mercado e isso é um bom sinal. O Minha Casa, Minha Vida não é só para o público de baixa renda. É, também, para pessoas que estão querendo comprar seu primeiro imóvel. A empresa prevê dois lançamentos em 2019 para esse segmento.

Compro e vendo agora?

 

Em geral, a expectativa é que após esse trimestre — onde deve haver uma definição econômica e serem sentidos seus efeitos iniciais —, as construtoras devem ajustar seus projetos para, no segundo semestre, fazer os primeiros lançamentos. Contudo, o mercado deve começar a retomada para valer somente em 2020. E isso para imóveis residenciais. Segundo Paulo Pôrto, da FGV, em geral, no Brasil a tendência é ter uma boa reação no segundo semestre, com lançamentos em abril, maio e junho e vendas logo depois. — O Rio vai ter primeiro um semestre muito morno, de readequações. Haverá alguma queda de preço e estoques sobrando. Quem tiver dinheiro em caixa poderá conseguir boas negociações. Já no segundo semestre os estoques estarão queimados e a tendência é que sejam feitos lançamentos.

Pôrto acrescenta que, para os vendedores, se for possível, será melhor segurar para 2020, pois é quando os preços realmente começarão a melhorar. Mariliza Fonres, da Riooito, concorda:

— Acredito que, em 2019, as pessoas terão mais esperança de investimento e, em 2020 e 2021, o mercado entrará na normalidade, e não no boom, o que eu acredito ser muito bom — diz ela. O gerente comercial da CAC Engenharia, Bruno Teodoro, também concorda com essa perspectiva. A empresa espera praticamente dobrar o número de unidades lançadas. — Nossa avaliação é que 2019 e 2020 serão anos de muitos lançamentos, pois as verbas do Minha Casa Minha Vida já estarão orçadas. Mas 2021 ainda é uma incógnita.

Lançamentos previstos

 

Já o presidente da Sawala Imobiliária, Márcio Cardoso, acredita que o aquecimento deva aparecer ainda no primeiro trimestre deste ano. — Em 2019 haverá mais lançamentos do que 2018, impulsionados pela confiança no cenário político e econômico do país e, principalmente, no embalo dos excelentes resultados atingidos no último trimestre de 2018. Acreditamos que Zona Sul e Recreio serão as regiões que voltarão a lançar. Na Tegra, estão previstos quatro lançamentos neste ano. O diretor executivo Alexandre Fonseca explica que eles serão feito em áreas que não tiveram lançamentos nos últimos anos. Segundo ele, o crescimento da Tegra em 2019 no Rio será em torno de 35%, na comparação com 2018.

— Estamos em busca de novos terrenos para desenvolvimento. Acreditamos que o crescimento mais acelerado dependerá das execuções das reformas nos níveis federal e estadual, pois trarão mais confiança ao comprador, ao investidor e às empresas do setor. Acreditamos que, no segundo semestre de 2019, haverá grandes chances de acontecer uma boa retomada.

Aquecimento, por enquanto, só nos residenciais

 

A Avanço Realizações Imobiliárias vai investir no segmento de luxo e, no segundo semestre, terá dois lançamentos residenciais, um em Barra Bonita e outro em Vista Alegre. Isso representa um aumento de 50% em comparação aos lançamentos de 2018. — Este será um ano de retomada e acreditamos que no segundo semestre conseguiremos enxergar uma aceleração maior. Outro fator importante é a regulamentação dos distratos, que foram um fantasma nos últimos anos. Essa regulamentação traz mais segurança para os incorporadores — explica Sanderson Fernandes, diretor da empresa. Tanto Bruno Teodoro, da CAC Engenharia, quanto Márcio Cardoso, da Sawala Imobiliária, destacam que este crescimento será somente para os imóveis residenciais. No caso dos comerciais, como há um grande estoque, a expectativa é de uma recuperação mais lenta. — O residencial estará muito bem atendido, pois ainda existe muita demanda nas regiões Norte e Oeste e na Baixada Fluminense. Nossa expectativa é de alta de lançamentos de 40% em relação a 2018 — diz Bruno Teodoro.

>— O segmento residencial sempre será mais demandado, pois envolve não só a necessidade, mas também as oportunidades de moradia e investimento. Já o comercial ainda tem um volume de estoque que precisa passar por ajustes para se adequar á demanda — completa Márcio Cardoso.

Marlei Júnior, coordenador administrativo da Nova Época Imóveis, destaca ainda que no ano passado o setor residencial sofreu uma adequação mais acelerada, com os preços ficando mais próximos de suas realidades de mercado. Com isso, foram menos compradores, mais negociação e um cenário com excelentes oportunidades para o comprador. — Creio que o novo ciclo de aceleração se estabeleça a partir de 2020, tomando como base mudanças e investimentos feitos em nosso país a partir de 2019. Quase todos os projetos que estavam engavetados sairão em 2019. O mercado está voltando, especialmente nas Zonas Norte e Sul.

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